INFORME

Mediante os movimentos aos quais devo proceder e acatar, em respeito a vocês, meus Queridos Irmãos (ãs), ainda estou aqui. Entretanto, pode acontecer que as postagens não ocorram de forma como vinham se dando: diariamente.
Desta forma, não estranhem caso haja tal situação.
Que a Ordem Divina, permaneça em nosso caminho.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A FUGA DO SE RECONHECER - J.Krishnamurti


Postagem original aqui, em 07.05.2016 


A FUGA DO SE RECONHECER


Parecemos não perceber a extraordinária importância do aprender sobre a nossa pessoa
(não o que os outros disseram, por maiores que sejam esses especialistas): 
o aprender realmente acerca de nós mesmos.

Não parecemos muito ardentemente interessados nisso e nos mostramos mais dispostos a aceitar prontamente "informações" de segunda mão, a respeito de nós mesmos.

Como sabem, há iogues, swamis, mararishis, 
— todo esse bando que anda a percorrer a Índia, este país, a Europa, a América.*
Em geral somos tão crédulos que estamos prontos a seguir qualquer um, desde que nos prometa alguma coisa!
Mas, para aprender sobre mim, torna-se necessária a total negação do passado, a negação de tudo o que aprendi a meu respeito,
porquanto sou um ente vivo, em movimento, uma coisa que está constantemente a modificar-se, por força das tensões e pressões da vida diária, da propaganda
— da constante pressão do mundo e da vida de relação.

Queremos traduzir este ente vivo em termos do passado, examiná-lo por meio do passado, e por essa razão é que nos parece difícil aprender acerca de nós mesmos,
isto é, porque temos o padrão do passado, o padrão do "correto" e do "errado", do "bom" e do "mau";
não estou dizendo que não existe "bom" e "mau",
mas temos essa imagem, firmemente arraigada no passado, e ela impede a compreensão do presente, do "eu" vivo.

Apresenta-se, assim, a questão de saber se não há possibilidade de rejeitarmos a autoridade externa dos sistemas espirituais, dos livros, dos guias religiosos, dos teólogos, etc.

Tratemos de recusá-la, bem como a autoridade interna do processo psicológico das experiências acumuladas, do conhecimento, do saber, a fim de termos uma base para começarmos a aprender.
Isso, com efeito, significa: Pode a mente
— ao observar tudo isso com muita simplicidade e clareza, se é uma mente são, e não neurótica, emocional —
pode a mente perguntar então a si própria se é capaz de enfrentar o medo que vem, inevitavelmente, quando uma pessoa se vê completamente só?

Porque, quando se rejeita toda autoridade, tanto externa como interna, e sabendo-se que se está sujeito a errar, que não existe nenhum guia, nenhum filósofo, nenhum amigo para mostrar-nos a direção, se estamos aprendendo a respeito de nós mesmos
— esse medo se apresenta inevitavelmente.

Ele nasce, invariavelmente, por causa da comparação:
alguém alcançou o esclarecimento e eu não alcancei. Desejo alcançá-lo.

Há também o temor de cometer algum erro, de perder tempo. E ainda o de ficar sem amparo, completamente só.
Afinal de contas, nós temos de estar sós
— estamos sós. Ao negarmos totalmente a estrutura psicológica da sociedade —
o que equivale a estar fora da sociedade, como, psicologicamente, devemos estar
— então, evidentemente, estamos sós.
Mas não se trata, de certo da solidão do monge, que é isolamento. Tampouco se trata da solidão da pessoa que se consagrou a uma determinada atividade; nem da solidão da pessoa que ficou abandonada, que não tem lugar na sociedade.
Quando se repudia, por inteiro, a estrutura psicológica da sociedade, fica-se inteiramente só e isso, por sua vez, gera um grande medo. Porque a maioria de nós é o passado e vive com o passado; quanto mais velho ficamos, tanto mais significativo se torna o passado; o passado se torna nosso guia.

É necessário rejeitar tudo isso, porque desejo aprender sobre mim.

E quando o rejeito, existe alguma coisa para aprender a respeito de mim? Já aprendi; nada mais há que aprender.
Não sei se vocês estão percebendo. Pois, o que estou aprendendo acerca de mim mesmo?
Desejo conhecer-me, mas percebo que, para aprender, necessito de estar livre de toda espécie de autoridade, não apenas verbalmente, porém em cada segundo, em cada minuto do dia.
E noto, assim, em mim próprio, a inclinação para seguir, porque sinto medo. E percebo a existência, em mim mesmo, do perigo, do medo de me ver inteiramente só.
E percebo, também, o temor de errar, de não atingir a meta, de não realizar, não conseguir aquela certa coisa existente além de todo pensamento e de toda experiência.

E, após esse exame, o que resta para aprender a respeito de mim?
Já aprendi tudo; já conheço a natureza total de "mim mesmo". Entretanto, resta essa coisa chamada "medo".
E, se me permitem, vamos examiná-la. Porque a mente que se vê presa na rede do medo, em qualquer de suas formas, conscientes ou inconscientes, tem de necessariamente viver num mundo sombrio e de ver as coisas deformadas; jamais compreenderá o que significa ser verdadeiramente livre.
E, porque tememos, criamos, natural e inevitavelmente, toda uma rede de vias de fuga
— o estádio de futebol, a igreja, o bar, etc.
Mas há possibilidade de nos libertarmos do medo?...
Temos a possibilidade de libertar-nos total e completamente dessa coisa chamada "medo"?


Jiddu Krishnamurti, em "A Essência da Maturidade".



*Nota do Arqueiro: hoje não se restringe a somente aos sitados por Krishnamurti. 
Há muitas das "sumidades instituídas", dos que se intitulam "guias e mestres" por "algum curso" que tenham participado ou por 'orientações/instruções' que recebam, por alguma percepção que tenham tido, espalhados por todos os cantos do planeta, onde, em sua grande maioria ou todos, se recusam ou ignoram a se reconhecer, negando o 'seu estado' e as condições/circunstâncias sob as quais nos encontramos; que dissimulam e compactuam, alguns conscientemente, com a ilusão/'controle'.