INFORME

Muitos devem estar se perguntando a razão de não ter havido aqui, nenhuma mensagem ou texto sobre a situação que a humanidade está vivenciando.

Muito simples: tudo o que foi aqui exposto e proposto, foi para que pudéssemos ter a condição e o equilíbrio de transpor, em comunhão com o Universo Evolutivo, toda e qualquer situação/momento. Sem se ater ou embrenhar por algum ponto e, voltados sempre para o TODO.

O que está chamando muito a atenção e incomodando mais(para muitos), é o fato desta situação estar atingindo a toda humanidade e somente a ela (com seus parentes, vizinhos, amigos, conhecidos, conterrâneos, parceiros, enfim...), independente da classe social, da cor, do credo e da localização geográfica.

Mas, a fome (nos quatro cantos do planeta), a violência e assassinatos diários, as guerras, os extermínios de animais inocentes, as agressões às florestas, aos oceanos, ao solo e ao ar (a toda Mãe Terra), sempre estiveram presentes no cotidiano humano. E, estas barbáries (matanças) se mantiveram sendo ignoradas ou mantidas em segundo plano pela grande maioria de nós; mesmo elas não diferindo em nada ao que a humanidade está experimentando, em termos de massacre/mortes. Então, por qual razão tudo agora deve ser voltado a este ponto específico?

Assim, tecer qualquer comentário sobre esta situação (de onde veio e para onde irá...; a cura surgirá como... e etc..), será negar a tudo o que aqui foi transmitido, caindo no campo da especulação e alimentando à ilusão/sombra.

No mais, cuidem da sua energia/vibração (atentando aos pensamentos e atitudes), como estão sendo orientados a cuidar da higiene pessoal.

Que o Poder e a Ordem Divina se façam presentes em nosso caminhar.

ArqueiroHur


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sábado, 30 de novembro de 2019

O Teimoso


Postagem original, em 22.12.2011

O Teimoso


Um homem bem comum vivia em conflito: 
seu bondoso coração não conseguia ter espaço, pois o homem, só via o trabalho e o dinheiro como importantes (muito corretamente até, já que em nossos dias tudo o mais como: comer, morar, se vestir, estudar, etc... fica comprometido). Mas a vida não é só isto, não é?!... 
Viver como se "escravizado" ou voltado só para para as coisas que nós possuímos e ou "gostamos"... 

Assim, o nosso homem, não dando espaço a seu coração, fez com que este fosse ficando triste e doente, por não dar-lhe “atenção” nem “ouvidos”...

Esse homem bondoso de coração, mas percebendo somente os efeitos físicos, foi então, procurar a ajuda de um médico, solicitando deste, que lhe fizesse um transplante...    



Apesar de todas as formas de tratamento indicadas pelo médico, nosso amigo insistiu no transplante, pois, visava a “recuperação imediata” para manter o seu ritmo de trabalho. O médico, não tendo como convencer ao nosso amigo, “atendeu ao pedido” e o transplante foi realizado com sucesso...

Entretanto, o médico que reconhecia o estado razoável do coração retirado, resolveu congelá-lo, para um futuro necessitado...

Passado algum tempo, nosso amigo que já voltara a sua rotina de trabalho, começou a se sentir estranho e com um comportamento que desagradava a sua família, aos amigos e aos próprios empregados e clientes... Ele, cada vez mais, ficava exigente e meticuloso com relação ao desempenho de tudo e todos ao seu redor. E se tornara "frio", distante parecendo mesmo "ser uma outra pessoa". 

E ele foi assim, ficando sozinho já que sua família se separou, os amigos se afastaram, os empregados de confiança se demitiram e os clientes, antes fiéis, passaram a procurar a concorrência.


Mas o “coração novo”, funcionava a todo vapor... 

Foi então, que numa visita de rotina ao seu velho e conhecido médico, ele relatou tudo o que vinha lhe acontecendo em relação a sua vida e rotina.
O médico, que já quase esquecera o “velho coração”  no congelador, sugeriu ao nosso amigo reimplantar o seu verdadeiro coração, com a condição de que nosso amigo não desistisse do trabalho, mas procurasse prestar atenção em todos ao seu redor e permitisse um tempo do seu dia ao seu coração...

Nosso amigo, após relutar durante algum tempo, mas se vendo sozinho e na bancarrota, resolveu aceitar a oferta do médico.
E após mais uma operação de sucesso, nosso amigo começou a reerguer seus negócios, recontratou alguns de seus antigos funcionários e aos poucos, sua família, amigos e clientes foram se reaproximando.

Todos custaram a crer na mudança que se deu em nosso amigo... Ele agora já não era mais o mesmo; e apesar do trabalho e do dinheiro, estava sempre atento a tudo e a todos ao seu redor e principalmente, deixando um tempo para o seu velho e bom coração. Agradecendo, diariamente, por todo o aprendizado que logrou em cada situação e momento da sua vida. 


Transformando, por esta mudança interna de como "ver" a vida, a sua teimosia em determinação e perseverança de crescer. 
ArqueiroHur



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O País que não existia


O País que não existia
Num país muito estranho, reinava a mentira e até o nome do país, ninguém sabia ao certo, já que tudo lá era mentiroso.
Os nomes, a idade e até por vezes o sexo era falso... Explico, a gente olhava e via um menino, mas quando se conhecia e conversava, descobria que era menina, ou vice-versa.
Nas escolas, se aprendia a mentira com várias especialidades, entre elas: para ser mais esperto, para sempre levar vantagem em tudo, para ser diferente do que se é realmente e principalmente, para nunca dizer a verdade.
O clima no país era engraçado, pois até ele pregava peças no povo que cansava de sair agasalhado e um sol abrasador aparecia e quando saía com uma roupa mais leve, acontecia de até nevar.
E apesar de toda a confusão que reinava no país, o povo levava as coisas com humor. As crises existentes no governo (sim, existia um governo, mas que também era mentiroso), o povo também não ligava e tudo era encarado com uma natural falsidade.
A fama do país atraiu muitos turistas, curiosos em saber como aquilo se dava. E eram os pobres turistas, motivo de chacotas e sofriam na mão do povo e do governo.
Como tudo lá era mentiroso, eles achavam que todos também o eram, até mesmo os pobres turistas que, ao voltarem para suas terras, acabavam sendo desacreditados ao contarem tudo o que haviam sofrido e presenciado no país da mentira.
E como eu nunca fui a este país, também custo a acreditar na existência absurda deste lugar.
- E vocês acreditam?
Lá, o bobo era esperto e o correto era bobo...  É!, tinham pessoas corretas no país, mas como ninguém acreditava nelas acabavam passando por mentirosas, mesmo não o sendo.
O que eu sei, é que ninguém podia confiar em ninguém, no País que não existia.
- Não entenderam? Nem eu.
- Vocês acham que eu também estou mentido?

ArqueiroHur

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O Balãozinho



Postagem original, em 05.01.2012


O Balãozinho

Era um Balãozinho daqueles que a gente vê em parque de diversão e feiras, de material que amassa, mas não rasga - acho até que é importado, com uns desenhos muito bonitos, que brilham a qualquer hora do dia ou da noite... Ele se achava, por tudo isto, um pouco superior aos de borracha, que estouravam à toa, e queria um destino melhor para si.
     
Sonhava o Balãozinho em viver numa casa bem bacana, onde teria a companhia de brinquedos bem legais e do nível dele.


Quis o destino, que ele tivesse essa sorte e ele foi dado a uma menininha que morava numa casa bem grande, do tamanho de um quarteirão, com um belo jardim, piscina e tudo o mais.
     
Quando a menininha viu o Balãozinho, ficou encantada e ambos se sentiram felizes.
Mas sabe como é, né?! A menininha tinha de tudo: vídeo-game, computador, bicicleta, enfim, tudo de bom e do melhor!... E num curto tempo, o encanto da novidade se desfez, levando a atenção da menininha para suas outras coisas e fazendo-a deixar o Balãozinho "meio" amarrado num galho do jardim; onde,  logo-logo, o vento se encarregou de soltar.



Assim o Balãozinho começou a subir e subir, levado pelo vento e percebendo que se afastava do seu grande sonho, pediu ao vento que o deixasse cair numa casa parecida com aquela... O vento, vendo a tristeza do Balãozinho, resolveu atender ao pedido e o levou para uma casa bem bonita e grande, onde moravam um casal de irmãos.
     
As crianças, quando viram aquele lindo Balãozinho caindo do céu, ficaram numa excitação tremenda e apostaram uma enorme  corrida pelo enorme quintal da casa, para ver quem o pegaria... O menino, que era maior e mais velho, levou vantagem e pegou o Balãozinho, mas como ele gostava muito da irmã, ficaram os dois a brincar com o lindo presente que veio do céu.

Nosso Balãozinho estava muito feliz com tudo o que via e com as brincadeiras dos irmãos. Só que passada uma meia hora, de brincadeiras e felicidade, a moça que cuidava das crianças (sim! as crianças tinham até uma empregada só para elas) as chamou para  lanchar.

As crianças estavam com tanta fome e sede, após tanta correria e brincadeiras, que saíram em disparada e sem que percebessem deixaram, de novo, o lindo Balãozinho entregue ao vento e a subir, subir...



     
Nosso amigo Balãozinho, que via seu grande desejo e felicidade se afastar pela segunda vez, em profunda tristeza, se perguntou o que havia feito para ter tal destino.
E não achando resposta, ficou a praguejar contra o vento e tudo o mais... Sem poder evitar, foi ganhando altura, se distanciando do seu grande sonho... Só que também, talvez pela sua revolta, foi perdendo o gás que lhe mantinha a flutuar, e assim, foi cair numa área bem pobre da cidade, num terreno abandonado e cheio de mato, totalmente murcho, lá ficando por um bom tempo, sujo e amassado pela ação do sol e da chuva...



        
Até que um menino, morador da vizinhança, ao andar por ali, se deparou com aquele material diferente, que mantinha ainda um certo brilho mesmo sob aquela condição; apesar de sujo e amassado, o menino que só brincava com pedaços de coisas achadas (pau, papelão e etc.), pensou em fazer daquele material estranho que ele jamais vira ou tocara, uma bola. Sim! o menino iria realizar seu grande sonho e desejo: possuir uma bola!...

Levando nosso Balãozinho para casa, o menino lavou-o bem e o encheu de papel e pano velho... Depois pediu para a mãe dar um jeito de fechar (costurando) e ele poder ter enfim, uma bola para brincar.



O resultado ficou acima da expectativa do menino, pois, sua mãe fez o melhor que podia, com todo o carinho e cuidado...

E a partir dali, daquele momento mágico (o encontro “ao acaso”, no terreno baldio), a bola tornou-se a fiel e inseparável companheira do menino que nada mais possuía, além da sua vontade de ser feliz com o que a vida lhe ofertava... E “ela” agora só ficava sozinha, quando ele ia para a escola, já que até para dormir, “ela” (nosso velho e conhecido Balãozinho) merecia o seu descanso ao lado menino e de seu travesseiro.




ArqueiroHur





quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O Medroso

Postagem original, em 19.07.2011



O Medroso


O medroso tinha um medo enorme de tudo, sempre achava que as coisas não iam dar certo; o que muitas vezes acabava acontecendo, apesar de todo o “cuidado” que tinha ao realizar suas tarefas.
O coitado ficava assombrado com a facilidade com que os outros desempenhavam suas funções, e por achar-se incapaz, a facilidade para ele não existia.
Ele era muito paciente e cauteloso, só que colocava seu temor em tudo criando sempre as maiores dificuldades na realização de seus atos, que acabavam desta forma, levando um tempo muito maior que o necessário... E assim, ele mal parava nos empregos que arranjava e, todos os seus amigos, acabavam por se afastar tamanho era o seu medo de nada dar certo. E de fato, não dava certo, já que era assim, que ele “vibrava”.
Mas um dia, aconteceu um fato que modificou totalmente a sua vida...
Era uma linda tarde de verão o nosso “amigo medroso” passeava na beira de um lago, pensando nos dissabores da sua vida, quando ele avistou três crianças se afogando... A primeira reação do nosso amigo foi de incapacidade, pois, aflorou nele o medo e a certeza de que nada iria dar certo... Olhou para os lados, procurando ajuda e não avistou ninguém... E naquele curto espaço de tempo, algo falou mais alto dentro dele: O Amor à vida!
E ainda bem, pois, o nosso “amigo medroso” conseguiu naquela situação extrema, pensar em todas as dificuldades, mas com cautela e cuidado,  achar a solução: cortou uns cipós e amarrou numa árvore, jogando a outra ponta no lago e assim, pode de forma eficiente e prática, salvar as crianças de uma só vez.
Vocês já pensaram:
- Se ele continuasse com seu enorme medo?
- Ou se afoitamente também caísse no lago?
- Teria ele conseguido salvar quantas crianças?
Bom, mas como ele salvou todas, só nos resta agora torcer para que o nosso “amigo medroso” tenha aprendido que a capacidade para que as coisas deem certas, está dentro dele. Basta fazê-las com Amor. E que ele possa ver as experiências passadas, como um aprendizado, tirando delas o que lhe acrescenta e deixando o medo do fracasso de lado, para enfrentar, com serenidade, as situações da vida.
                                                                                               ArqueiroHur



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O Azarado

Postagem original, em 19.12.2011


O Azarado
  
O azarado vivia a reclamar de sua própria SORTE a todos que encontrava. E a POUCA SORTE lhe atormentava tanto a vida, que ele não conseguia realizar nada ao seu tempo ou da maneira correta, aumentando assim a POUCA SORTE e o seu tormento.
A bem da verdade, nosso amigo azarado, não prestava atenção no que fazia, até no simples ato de beber água, costumava deixar a torneira pingando. Ele era também um tanto quanto preguiçoso, deixava sempre para realizar alguma coisa no dia seguinte, e nunca realizava, já que o dia de realizar era sempre o seguinte. Mas nosso amigo azarado não se dava conta de sua falta de atenção, nem da preguiça, colocando sempre a culpa na sua POUCA SORTE.
Com o seu tormento, passou também a reparar e a comparar na “sorte” de seus vizinhos e amigos, o que veio a aumentar ainda mais seus problemas, já que além de sua preguiça natural e da sua pouca atenção, passava agora o seu tempo a prestar atenção na "SORTE" DOS OUTROS, não tendo mais tempo nem atenção para si mesmo.

O coitado do nosso amigo azarado tentava de todas as formas obter a “SORTE" DOS OUTROS, copiando as idéias e os trabalhos que os “SORTUDOS" tinham, mas com ele NADA, NADA dava certo.
E assim ele foi perdendo tudo o que tinha. (Eu quase havia esquecido de dizer, que seu falecido pai fora um empreendedor bem sucedido, deixando para nosso amigo azarado uma condição razoável de vida).... Depois de perder tudo, saiu a vagar pelo mundo afora, maldizendo sua POUCA SORTE.

E dizem, mas isto eu não posso atestar, que ele ainda vaga pelas ruas, inconformado com a “sorte”  dos outros.
Será que a preguiça e a falta de atenção derrotaram nosso amigo?

Bem, de qualquer forma, se fizermos todas as nossas tarefas com atenção e sem preguiça, a “sorte” com certeza estará do nosso lado. 
Pelo menos é o que eu acho, ou não será???

ArqueiroHur



terça-feira, 17 de maio de 2016

O Tempero da Velhinha

Postagem original, em 21.07.2011


O Tempero da Velhinha



Bem longe da aldeia, vivia uma velhinha que fazia todos os dias a longa caminhada de sua casa até a aldeia, mesmo de baixo do maior temporal ou do sol mais escaldante.
O que ela ia fazer todo dia na aldeia?
Bom, ela dizia que precisava de ervas frescas para curar seus males. Sim, ela era uma velhinha muito doente, que caminhava com dificuldade e toda semana apresentava uma dor diferente: “As vezes era o reumatismo, noutra o rim ou o fígado“ . E assim ela seguia os seus dias, chegando sempre cedo ao mercado e além de comprar as ervas que tanto necessitava, ficava ao par da vida de toda a aldeia.
É ... Ela gostava de saber das “coisas” e sempre passava adiante aquilo que escutava, não se importando em aumentar um pouquinho, o  que na verdade  havia se dado.
Pensava a velhinha: “ – Nada como uma boa medida de tempero para dar gosto.”
O povo da cidade, não dava muito crédito ao que nossa velhinha falava, já que não havia um só habitante que não tivesse seu nome e sua vida narrada pela nossa enferma.
E em seu trajeto diário, ela sempre se deparava com um vizinho, que estando sempre a cuidar das suas plantas e da sua horta, não lhe dava atenção. O que para ela era um desaforo, e sempre que podia a velhinha falava do vizinho, carregando no tempero, já que dele, nem ela, nem a aldeia sabia muita coisa.
Até o dia, em que o vizinho percebendo o estado de saúde da velhinha, que a cada semana piorava, resolveu lhe falar:
- Minha vizinha, como bem sabe, vivo aqui a cuidar das minhas plantas e da minha pequena horta, não me importando muito com o que falam ou pensam de mim, mas tenho reparado, cara vizinha, que sua saúde piora a cada dia, mesmo indo a senhora diariamente a cidade, com o pretexto de achar as ervas para curar seus males.
A velhinha, muito interessada em “ouvir” o que o vizinho dizia, pois assim amanhã já teria notícias novas para divulgar, prestava toda a atenção.
- Mas vizinha, continuou ele, de nada adianta gastar seu dinheiro com as ervas, pois, seus males só serão curados, quando a senhora deixar de cuidar da vida alheia e passar a se preocupar consigo mesma. Aí, cara vizinha, as ervas lhe ajudarão a curar todos os males que a senhora mesmo plantou para si.
Não se sabe, até hoje, o que foi feito da nossa velhinha, que desde aquele encontro, não mais voltou a cidade e apesar de todos os comentários que acercaram seu sumiço, nenhum dos ouvintes da aldeia, foi até sua pobre casinha para saber notícias suas.
Não se sabe, até hoje, o destino da nossa querida velhinha: se obteve a cura, se resolveu se mudar ou até mesmo morreu. Somente, que a aldeia seguiu sua rotina, logo tendo alguém que mantivesse a boa dose de tempero na panela.
 ArqueiroHur

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A Linha e a Bainha


Postagem original, em 28.12.2011



A Linha e a Bainha

Era uma calça muito importante, procedia de uma das mais famosas “Grifes”, portanto, cara e de material de primeira qualidade.
Só, que havia ficado um pouco comprida em quem a comprou... E a fim de que ela mantivesse o perfeito caimento, foi-lhe feita uma bainha...

Como a calça era de "Grife”, todo o tecido, botões, zíper e o restante de seu material menosprezavam a pobre linha da bainha, já que esta, não tinha a mesma “procedência/origem” que todos eles, que eram produzidos “exclusivamente” para esta “grife”. O único item que lhe tratava com respeito, era a linha de costura, que apesar de "saber" da fragilidade da linha da bainha, reconhecia a sua importância para o conjunto. Principalmente, por ter “dentro dela”, como verdade, o sentimento de igualdade... Vale ressaltar que, “quem” mantinha a calça e todos os seus acessórios em ordem, no lugar, era exatamente a linha da costura, que unia os cortes do tecido, como também, “prendia” todos os outros itens. Sendo desta forma, a parte “principal” da calça, embora não nos pareça quando "olhamos" para ela...
Mas para os outros itens, a importância era a "origem" e desta forma,  a  linha da bainha era sempre motivo de chacota e ignorada nos assuntos e conversas dos outros componentes... E ela tanto sofreu que resolveu deixar de fazer parte da calça de "Grife”...
linha da costura, por saber que “toda a calça” seria afetada sem a bainha e sabendo que onde não há: respeito, igualdade, consideração; não há harmonia, resolveu apoiar a sua amiga, pois, para ela (linha da costura), manter-se naquele meio de soberba e individualidade, era compactuar e acabar sendo “igual” ao que ela discordava internamente (seus princípios) e assim, também se desprendeu da calça.
E como num "passe de mágica", a calça que era muito importante e tinha “nome” deixou de existir, tendo os botões, zíper e o restante dos seus componentes ido parar no lixo. 

A exceção ficou por conta do tecido, tido por muitos como o mais importante pela sua qualidade e perfeito corte, que acabou foi “servindo” de pano de chão e sendo sempre esfregado pelos sapatos sujos de lama daqueles que antes, tanto admiravam a calça.
ArqueiroHur



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O Moinho e o Vento – A Esperança do Recomeço

Postagem original, em 24.10.2011


O Moinho e o Vento – A Esperança do Recomeço

Em algum ponto do universo existe um pequeno planeta, onde há muito tempo atrás se vivia em harmonia. Não existia forma de governo como conhecemos, as questões que surgiam eram “vistas” por um conselho que deliberava dentro do consenso e observação de um todo. Tudo dentro de uma consciência de unidade. Polícia e segurança, também não cabiam, pois, a consciência atuava no TODO, não individualmente. As tarefas eram realizadas em cooperação. Assim, plantavam flores... entalhavam madeira... tocavam  música... brincavam... enfim, viviam em função da sua lei máxima, que era da Paz e Harmonia e respeito a toda forma de vida na natureza, onde a educação era efetuada por todos e para todos, com cada um “dando” e passando aquilo que tinha dentro de si (sempre que surgia alguma descoberta, esta era partilhada entre todos)... E toda a energia que necessitavam provinha de um único moinho de vento.
Até que o planeta em que os habitantes acreditavam que todos os seres detinham o direito de ser feliz e compartilhar idéias, começou a receber a visita de  “aventureiros” , de todos os cantos do universo, que buscavam tentar compreender e aprender a viver como o povo dali... De inicio, vieram poucos, que foram recebidos com prazer e igualdade.
Passaram-se os anos e os “aventureiros” chegavam cada vez mais e todos foram bem acolhidos. Só que o planeta movido pelo moinho, foi perdendo suas características, pois, aqueles que chegaram a principio para aprender, foram aos poucos, impondo suas tecnologias e padrões de conforto... Até que já governado pelos “aventureiros”, instalou-se uma redoma de vidro ao redor do pequeno planeta, a fim de evitar a entrada de novos aventureiros (parece estranho e até ser um contra-senso isto: os próprios “aventureiros” procurassem evitar que outros aventureiros para lá fossem, mas há coisas que por mais que tentemos entender, não conseguimos, pois fogem a nossa compreensão, já que não podemos “entrar” e “pensar” pelo outro).
Com isto, o moinho deixou de ter utilidade e o conselho foi meio esquecido, em virtude das “novidades” que se apresentavam... Através das técnicas dos “aventureiros”, foram sendo criadas formas de energia artificiais, que para serem geradas, necessitavam do trabalho dos antigos habitantes do planeta.
E assim, a felicidade e o encanto, foram se afastando do pequeno planeta. As flores não mais cresciam, pois, ninguém cuidava mais delas. Não se tinha tempo para cantar ou dançar pelas ruas, já então calçadas e urbanizadas por aqueles que foram atraídos pela paz e harmonia, enfim, todo o trabalho manual que respeitava e era feito em comunhão com a natureza, já não mais era realizado... E estranhamente, tudo se dava de forma meio passiva, sem reação por parte dos habitantes do planetinha da harmonia e paz... Parecia que eles estavam sob efeito de alguma substância... 

- Onde teriam eles deixados seus princípios e valores?...
- Como podiam aqueles que tanto haviam encantado e ensinado a outros povos, estarem agora nesta situação?
Estas eram perguntas que alguns poucos, que haviam crescido, aprendido e admiravam aquele povo, estavam se fazendo...

O tempo passava e os antigos habitantes do planetinha, cada vez mais absorvidos pelas novas tarefas, foram se sentindo “distantes” de sua essência e impotentes para reverter a situação, embora, cumprissem com eficiência suas atuais obrigações, quase que como robôs... e assim, a tristeza passou a reinar no lugar do viver... Olhava-se ao redor e não via-se ou sentia-se mais a harmonia. Tudo se desenvolvia de forma fria, vazia e até sombria... O sentido de realização nas coisas, havia se esvaído... Até que, sem mais forças, deixaram de cumprir suas obrigações.
O pequeno planeta, então sem ter como gerar energia, começou a viver um tremendo caos e os “aventureiros” (que tinham seus interesses) começaram a se retirar... Mas não da mesma forma que tinham vindo, pois além de toda a urbanização e tecnologia, ainda deixaram a redoma de vidro a envolver o pequeno planeta e a falta de perspectiva a atormentar os habitantes.

Mas  o “acaso” resolveu agir e a pequena porta na redoma, por onde os “aventureiros” se retiraram, ficou aberta, deixando uma constante brisa, suave e fresca, soprar... isto foi o suficiente para fazer o esquecido moinho começar a girar, trazendo de volta a esperança e relembrando aos antigos habitantes do planetinha, que a vida podia se dar, também de outra forma, a “velha” forma que eles antes tanto entendiam: do AMOR, RESPEITO, HARMONIA e UNIÃO.
E aqueles que haviam se deslumbrado com as “novidades”, lembraram-se do  “velho conselho”, que antes tudo deliberava e foram, arrependidos, ao encontro dos poucos anciões que ainda viviam, pedindo-lhes que ajudassem na restauração do planetinha e de sua forma de vida.    
Ainda hoje, os habitantes estão às voltas para se livrar da redoma de vidro e dos equipamentos, que agora já não funcionam e foram “deixados” pelos “aventureiros”, mas não deixam de efetuar reverências diárias de agradecimento a brisa fresca e suave, que lhes mostrou que a vida provinha essencialmente, da velha e boa natureza.
ArqueiroHur